Sobre o grupo

O G.bio – Grupo de Pesquisa e Extensão em Controle Biológico – foi criado em 2006, com estudantes do Curso de Agronomia do Centro Universitário Moura Lacerda. Esse grupo tem por objetivos desenvolver pesquisas que viabilizem, que facilitem, que integrem ao Manejo Integrado e que desenvolvam o controle biológico de pragas e doenças das plantas de interesse econômico e de pragas urbanas.

Gbio_10_anos_fotos_historicasO grupo foi criado exatamente quando percebemos que o caminho para consolidar o controle biológico de pragas seria longo, pois o mesmo era tratado pela sociedade mundial de forma empírica ou utilizado de forma simplista demais. Se o controle biológico permanecesse nessa linha de raciocínio, ele jamais chegaria a ser usado na agricultura convencional, como pregavam os cientistas. Seria uma prática restrita às culturas perenes, casas-de-vegetação ou à agricultura orgânica, que não representam o grande montante de alimentos produzidos no mundo. Além disso, a própria soltura (liberação) dos agentes de controle sempre foi sem muita importância, mas com o trabalho de Smith (1994) e Pinto e Parra (2002) ficou provado que esse descaso certamente levaria excelentes programas de controle biológico ao total insucesso em campo.

Mas o controle biológico, na nossa visão, tinha capacidade de ir além desses limites estreitos. No campo da Ciência, bastasse que fossem desenvolvidas tecnologias específicas de criação de insetos e ácaros e produção de patógenos em escala industrial e de liberação e aplicação desses produtos biológicos em campo.

As pesquisas do G.bio, incluindo outros pesquisadores de outras instituições, avançaram. Esses trabalhos, aliados aos trabalhos de grupos que pensavam da mesma forma, mudaram o cenário do controle biológico na agricultura, especialmente no Brasil, destacando-o no cenário internacional por meio de uma empresa, a Bug agentes biológicos S/A, em parceria com o G.bio, que passou a aplicar todo o conhecimento gerado nas suas atividades pós-venda de produtos biológicos.

Mas mesmo com os avanços, o agricultor brasileiro não acreditava no controle biológico, e com razão, pois essa tática muitas vezes falhara anteriormente. Até um dos maiores programas de controle biológico do mundo, que é o uso de Cotesia flavipes (Hymenoptera: Braconidae) no controle da broca-da-cana (Diatraea saccharalis) (Lepidoptera: Crambidae), apresentava falhas em várias plantações e várias regiões do Brasil, como no Centro-Oeste.

Para convencer o agricultor, foi criada a Revista de Controle Biológico G.bio, revista técnica e com linguagem simples, para instruir e divulgar novas tecnologias de controle biológico. E muitas palestras foram organizadas por todo o Brasil e América Latina, entre os anos de 2010 e 2013, difundindo mais ainda o controle biológico.

Aliado a isso tudo, o uso indiscriminado de agrotóxicos começou a sofrer pressão de órgãos governamentais, da mídia e, por consequência, da sociedade. Relatos internacionais e no Brasil da morte de abelhas e ressurgimento de lagartas nas áreas agrícolas passaram a preocupar. No meio científico, o impacto de agrotóxicos sobre organismos não-alvo começa a ser estudado, evidenciando que não há um só produto que não cause algum desequilíbrio, mesmo que mínimo.

As plantas transgênicas, que surgiram como a “solução” para a agricultura, por terem as estratégias de plantio não respeitadas pelo agricultor, acabaram por desenvolver a resistência de algumas pragas-alvo a elas em menos de dois anos de uso, sendo também possivelmente responsáveis pelo surgimento de outras pragas, que ocuparam um nicho livre de competidores pelo mesmo alimento.

Não há, na atualidade, uma nova tecnologia de controle de pragas capaz de superar as estratégias biológicas desenvolvidas e em franco desenvolvimento até o momento. Algumas culturas estão prontas para receberem imediatamente liberações inundativas ou inoculativas-sazonais para o controle de quase todas as pragas, como é o caso da cana-de-açúcar, soja e feijão. Grandes áreas que recentemente trataram essas culturas de forma biológica além de gastarem menos, produziram mais do que o método convencional químico.

Dentro desse cenário inovador, o G.bio tem atuado na pesquisa e no desenvolvimento de produtos biológicos para várias culturas, produtos armazenados e pragas urbanas, desenvolvendo parcerias com renomadas empresas do Brasil e do exterior e com outros grupos de pesquisa de consagradas Universidades e Instituições de Pesquisa há quase dez anos.

Temos por lema que juntos, agricultores, pesquisadores e a sociedade, de uma forma geral, desenvolveremos a “Vida para Vida”, alicerçando e renovando a agricultura mundial no respeito primordial pela Natureza, aumentando a produtividade das nossas lavouras e produzindo alimentos mais saudáveis para os nossos filhos.