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Aprimoramento do controle biológico de lagartas na cultura da soja

O controle biológico de ovos de lepidópteros por Trichogramma foi aprimorado nos últimos três anos.
O controle de pragas da soja tem mudado rapidamente nos último três anos, desde a entrada de Helicoverpa armigera na Bahia, em 2012. Sem opções de controle, o agricultor apelou para o antigo conhecido controle biológico, que na década de 1970, representado pelo baculovírus no controle da lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), se mostrou uma excelente opção para o manejo de lagartas. Como estava em evidência por inúmeros prêmios internacionais e nacionais, o agricultor resolveu experimentar o até então desconhecido agente de controle biológico Trichogramma pretiosum e teve uma grande surpresa: ele funcionava! A soja, que até então utilizava o parasitoide em pouco mais de 10.000 ha, saltou para 800.000 ha em menos de dois anos.

O uso de Trichogramma no controle de ovos das diferentes espécies de lagartas que atacam a soja, além de ter crescido bastante, tem se mostrado a prática mais eficaz dentre as existentes.

O uso de inseticidas, campeão em vendas no Brasil, cada vez mais se torna ultrapassado, apresentando duas facetas. Se por um lado controlam a praga quase que instantaneamente, por longo período, com tecnologia de aplicação simples e de manuseio fácil, por outro matam muitos dos demais seres vivos, poluem solos e águas e contaminam alimentos e humanos. Além disso, são responsáveis pelo surgimento de novas pragas e de se tornarem obsoletos devido à resistência que a praga desenvolve com seu uso continuado, prática comum entre os agricultores no país.

Outra tática usada em grandes áreas, as plantas transgênicas também têm a desvantagem das pragas desenvolverem resistência, além de estarem chegando ao limite da tecnologia e de serem vistas de forma negativa pela sociedade, como os inseticidas.

Os demais produtos biológicos existentes no mercado têm a desvantagem de serem específicos para cada lepidóptero-praga, necessitando do uso de vários produtos quando existe mais de uma espécie de lagarta atacando a cultura.

Nos Estados de São Paulo e Paraná, o parasitoide Trichogramma foi utilizado inicialmente em três liberações sucessivas e semanais a partir dos 20 dias após a semeadura, existindo a possibilidade de uma nova liberação caso a pressão de lagartas fosse grande no período de florescimento. A quantidade a ser liberada ficou definida como 100.000 adultos por hectare, em 48 pontos equidistantes. A liberação foi inicialmente terrestre e realizada de forma manual, eventualmente sendo liberadas dentro de cápsulas com motocicleta, em Goiás.

Após o primeiro ano de uso do parasitoide em grandes áreas, muitos problemas surgiram e necessitaram que a Ciência os resolvesse rapidamente. A seguir, serão apresentadas essas mudanças.

Início das liberações. Em áreas onde o tratamento de sementes é realizado com inseticidas, as lagartas demoram mais a aparecer e isso retarda o início das liberações. As armadilhas de feromônio passaram a ser essenciais nessa tomada de decisão, sendo utilizadas ao menos uma para cada espécie a cada 20-30 ha. A partir do aumento da quantidade de machos capturados, é feita a liberação.

Quantidade liberada e número de liberações. Em grande parte da região agrícola conhecida como MATOPIBA (Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a pressão inicial de lagartas foi baixa e causada especialmente por H. armigera. Por esse motivo, a primeira liberação passou a ser de 50.000 parasitoides por hectare, sendo seguida por uma de 100.000. No florescimento, a pressão maior fica por conta da falsa-medideira (Chrysodeixis includens), e por esse motivo logo que a quantidade de machos capturados nas armadilhas aumenta, é realizada uma liberação de 200.000 parasitoides por hectare, seguida de outra de 100.000 na semana seguinte. Nessa estratégia, lavouras de Luis Eduardo Magalhães, BA, tiveram grande sucesso no controle de lagartas, evitando ou diminuindo as aplicações de inseticidas.

Uma pesquisa recente realizada em Ribeirão Preto, SP, também mostrou que a estratégia de três liberações iniciais mais uma no florescimento garante melhores resultados no controle de lagartas quando comparada à liberação em três datas iniciais apenas.

Lógico que a quantidade a ser liberada dependerá da quantidade de machos capturados nas armadilhas, mas enquanto não existe uma correlação entre machos capturados e ovos nas plantas, sugerimos essa estratégia de liberação.

Forma de liberação. A pesquisa demonstrou que é possível ser liberado Trichogramma na forma de pupa prestes à emergência pela técnica do espalhamento de pupas desprotegidas sobre plantas e solo. A utilização de um repelente diminuirá a predação causada principalmente por formigas no solo, mas mesmo sem esse produto é viável a tecnologia.

Essa descoberta facilitou a liberação de Trichogramma por avião, tendo sido desenvolvido um equipamento capaz de soltar pupas do parasitoide em velocidades variáveis, acoplado a uma barra. Também viabilizou o uso de veículos aéreos não tripulados (VANTs ou drones) na liberação do parasitoide, pois o peso se tornou bastante insignificante. Para se ter uma ideia, um drone é capaz de carregar cerca de 3 Kg de material biológico, que é suficiente para tratar quase 1.000 hectares de uma só vez.

A primeira liberação de Trichogramma pela técnica de espalhamento de pupas desprotegidas ocorreu no interior de São Paulo, em uma área de cana-de-açúcar para o controle da broca-da-cana (Diatraea saccharalis), com resultados semelhantes ao da liberação terrestre e superior ao do controle químico com clorantraniliprole.

Em Balsas, MA, a liberação de pupas desprotegidas tem sido realizada em soja com aparelho semelhante ao do avião, mas acoplado à motocicleta, facilitando bastante a prática.

Uma nova agricultura começa a ser delineada, muito mais preocupada com o meio ambiente, com a sociedade e cada vez mais econômica, rumo a sustentabilidade que antes foi considerada utópica.


Alexandre de Sene Pinto



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