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Controle biológico de pragas do tomateiro

A cultura do tomate no Brasil exagera no uso de agrotóxicos e o controle biológico de pragas é viável e um importante substituto para os agricultores conscientes.
As principais pragas da tomaticultura são três espécies de tripes, Thrips tabaci, T. palmi e Frankliniella schultzei, os pulgões, Myzus persicae e Macrosiphum euphorbiae, a mosca-branca, Bemisia tabaci, a traça-do-tomateiro, Tuta absoluta, a broca-pequena-do-fruto, Neoleucinodes elegantalis e a broca-grande-do-fruto, Helicoverpa zea. Também causam prejuízos à cultura o ácaro-rajado, Tetranychus urticae e outras espécies desse gênero, o microácaro, Aculops lycopersici, a traça-da-batatinha, Phthorimaea operculella, a mosca-minadora, Liriomyza spp., a lagarta-rosca, Agrotis ipsilon, a lagarta-militar, Spodoptera frugiperda, as lagartas mede-palmo, Chrysodeixis includens ou Trichoplusia ni, dentre outras, como a recém-introduzida Helicoverpa armigera.

Os tripes, os pulgões e a mosca-branca são transmissores de viroses que limitam ou inviabilizam a produção de tomate. As traças e a mosca-minadora ocorrem na cultura durante todo o seu desenvolvimento. As brocas são importantes após o florescimento. Por causa dessas pragas, a tomaticultura é uma das culturas que mais utiliza agrotóxicos, que são responsáveis por um terço do custo total de produção. As pulverizações chegam a ser realizadas a cada dois dias, desde o transplante até o final da colheita. Aliados aos inseticidas, os fungicidas usados para o controle das diversas doenças causadas por fungos, como a requeima e a pinta-preta, completam o quadro de pulverizações frequentes.

Devido ao grande valor agregado do tomate e à alta incidência de pragas e doenças durante todo o desenvolvimento da cultura, o tomaticultor opta pelo uso indiscriminado de agroquímicos, com pulverizações sistemáticas, sem realizar as amostragens populacionais preconizadas pelo manejo integrado de pragas. Entretanto, esse manejo, além de minimizar os impactos que a tomaticultura causa ao ambiente e de eliminar os problemas de contaminação do alimento e do homem, também reduz os custos de produção da cultura, racionalizando o uso de agrotóxicos, evitando o desenvolvimento de resistência de insetos e ácaros aos inseticidas e o surgimento de novas pragas, antes secundárias.

Uma das principais táticas do manejo integrado de pragas do tomateiro é o controle biológico exercido por predadores e parasitoides. O controle biológico, de uma forma simples, consiste no uso de organismos vivos (insetos, ácaros etc.), chamados de inimigos naturais ou agentes de controle, para reduzir as populações das pragas.

No Brasil, o controle biológico pode ser utilizado mantendo e estimulando a permanência de parasitoides e predadores no local (controle biológico natural) e realizando liberações em grandes quantidades (inundativas) de parasitoides (controle biológico aplicado) ou pulverizações com fungos entomopatogênicos, de cristais protéicos da bactéria Bacillus thuringiensis e de vírus.

A manutenção é realizada criando barreiras ao redor da área de plantio utilizando-se gramíneas, em especial milho ou sorgo, semeados um mês antes da cultura do tomate, para atrair inimigos naturais para o local, prática essa recomendada como auxiliar no controle de vetores de viroses. O uso de inseticidas seletivos é outra prática que auxilia na manutenção dos inimigos naturais.

As pragas que são controladas biologicamente no Brasil são as traças, as brocas e as lagartas desfolhadoras, com o uso do parasitoide de ovos Trichogramma pretiosum, em liberações inundativas, e de produtos originados da bactéria B. thuringiensis e de vírus. Todos são encontrados no mercado nacional e são de grande eficiência.

Também têm sido recomendados os fungos entomopatogênicos Beauveria bassiana, para o controle das moscas-brancas e do ácaro-rajado, e Metarhizium anisopliae, para o controle de tripes e moscas-brancas. Esses fungos também são comercializados no Brasil, mas, na maioria das vezes, essas recomendações são generalizadas para pragas de hortaliças e ornamentais, devendo ser selecionados isolados específicos para cada praga alvo.

Para o controle do ácaro-rajado, os ácaros predadores Neoseiulus californicus e Phytoseiulus macropilis são comercializados no país.

Para as demais pragas não há agentes de controle biológico sendo comercializados no nosso país. Entretanto, muitos organismos de eficiência comprovada são produzidos no exterior para o controle de pragas do tomateiro. É o caso do percevejo Orius spp., para o controle de tripes, ovos e pequenas lagartas, dos parasitoides Encarsia spp. e Eretmocerus spp., para o controle de moscas-brancas, dos parasitoides Aphidius spp., Aphidoletes spp. e Aphelinus spp., para controle de pulgões e do parasitoide Diglyphus spp., para o controle da mosca-minadora. Também são comercializadas espécies de crisopídeos (bichos-lixeiros), sirfídeos, coccinelídeos (joaninhas) e fungos entomopatogênicos (como o Lecanicillium) para o controle de diversas pragas que atacam o tomateiro. Todos esses inimigos naturais mencionados ocorrem naturalmente no Brasil e podem ser produzidos e comercializados no país para o controle das pragas do tomateiro.

Manejo fitossanitário do tomateiro viabilizando o uso do parasitoide Trichogramma pretiosum

O parasitoide Trichogramma pretiosum tem sido usado para o controle das traças, brocas e lagartas desfolhadoras, com grande eficiência. As liberações são iniciadas logo após o transplantio. A eficiência em campo chega a 90% para a maioria das lagartas-alvo.

Para o controle de S. frugiperda, T. pretiosum não é eficiente, pois chega a 30% (dados para a cultura do milho), mas deve ser utilizado por ser mais um aliado no combate a essa praga. Entretanto, se a cultura apresentar histórico de altas infestações ou estiver nas proximidades de milho ou outras gramíneas, a utilização do parasitoide Telenomus remus pode ser viável, visto que em milho causa parasitismo superior a 80%. Esse parasitoide está sendo registrado para uso no Brasil.

Para se utilizar T. pretiosum no controle das pragas mencionadas, a área de tomate a ser manejada deve ser tratada de forma diferente do convencional. A utilização de outros agentes de controle biológico, como os fungos M. anisopliae e B. bassiana, e de produtos com cristais protéicos de B. thuringiensis, para o controle das demais pragas do tomate, devem ser incluídos no programa de controle estabelecido para a área. O tomaticultor deve dar preferência para os inseticidas mais seletivos para o parasitoide e respeitar o momento da liberação das vespinhas. Somente dessa forma, o parasitoide poderá atingir seu máximo desempenho. A seguir, algumas recomendações para a correta utilização de Trichogramma serão comentadas.

Número de vespinhas liberadas. O número recomendado de vespinhas a ser liberado, na forma de pupas ou adultos, é de 400.000 por hectare, número esse que pode ser de até 200.000 ha-1 quando as quantidades de ovos das traças, brocas e lagartas desfolhadoras encontradas forem pequenas.

Periodicidade das liberações. A quantidade de 400.000 vespinhas ha-1 deve ser liberada semanalmente. Entretanto, devido ao hábito de pulverizações frequentes nas plantações de tomateiros, deve-se dar preferência por liberar essa quantidade dividida em duas vezes por semana, garantindo assim um maior tempo de atuação de Trichogramma na área.

Número de pontos de liberação. A prática indica que a liberação de Trichogramma em 12 pontos equidistantes entre si em áreas de 1.000 m2 tem dado excelentes resultados.

Tempo de atuação da vespinha. O parasitoide T. pretiosum atua sobre ovos das traças, brocas e lagartas desfolhadoras desde o momento da liberação, sendo que o pico de parasitismo, ou seja, o maior controle das pragas ocorre no terceiro dia após a liberação. A vespinha permanece viva e causando um bom parasitismo na área onde foi liberada por até 3-4 dias. Após 5 dias da liberação os ovos começam a escurecer, indicando que os ovos foram parasitados. Após cerca de 10 dias da liberação, dos ovos parasitados no campo sairão outras vespinhas (emergência) que irão parasitar novos ovos, contribuindo para o controle natural da praga. Entretanto, o número de vespinhas que irá “nascer” (emergir) não é suficiente para garantir o controle dos novos ovos colocados pelas pragas, sendo, por isso, necessárias novas liberações.

Momento da liberação. As cartelas contendo pupas (dentro de ovos parasitados) ou adultos emergidos podem ser liberadas em qualquer horário. Deve-se evitar a liberação da vespinha em dias que sejam realizadas pulverizações com inseticidas ou fungicidas. O ideal seria iniciar as pulverizações com agrotóxicos após 3 dias da liberação de T. pretiosum, para que os adultos pudessem atuar com maior eficiência. De qualquer forma, devem-se evitar agrotóxicos que sejam pouco seletivos para T. pretiosum. Devem-se distribuir as embalagens com pupas um dia antes ou no dia previsto (marcado na embalagem) para a emergência dos adultos. Evitar as pulverizações antes dos adultos emergirem.

Alguns inseticidas não matam a larva de Trichogramma dentro do ovo parasitado, como espinosade e indoxacarbe, e ovos que sofrem a pulverização de azadiractina (nim) repelem e prejudicam o desenvolvimento de Trichogramma.

Seleção de linhagens. O parasitoide T. pretiosum controla de forma eficiente as traças, brocas e lagartas desfolhadoras que ocorrem no tomateiro. Entretanto, não existe uma linhagem que controle eficientemente todas as espécies de praga. Esse problema é muito evidente no controle das traças, pois a linhagem selecionada para o controle da traça-do-tomateiro, T. absoluta, não exerce um bom controle sobre a broca-pequena-do-tomateiro, N. elegantalis, sendo necessário, quando ambas ocorrem, o uso de uma mistura das duas linhagens (200.000 de uma + 200.000 ha-1 da outra).

Cuidados com o uso de T. pretiosum. Por se tratar de organismo vivo, as vespinhas não devem ficar expostas ao sol no transporte e no armazenamento até a data de emergência. Deve-se manter a temperatura constante para que a data de emergência colocada na embalagem possa ser seguida. A compra dos parasitoides deve ser feita em empresas idôneas e que dêem assistência técnica, pois, no Brasil, ainda não há um controle de qualidade desses insetos por órgãos oficiais. O usuário deve ficar atento: (i) ao aspecto do material comprado, rejeitando os ovos parasitados pelas vespinhas que estiverem com fungos ou ressecados; (ii) à emergência dos adultos, que deve ser superior a 80% (ou a cartela deve conter um número maior de parasitoides que compense a baixa emergência), e; (iii) à presença de vespinhas adultas defeituosas (nas asas, principalmente), que não deve ser superior a 5%.

Como exemplo, nas áreas de tomate semi-estaqueado na Bahia onde foi liberado Trichogramma, seguindo as recomendações aqui apresentadas, de 48 aplicações de inseticidas para o controle da traça-do-tomateiro (durante todo o ciclo da cultura) passou para apenas 14 (economia em torno de 70% nas pulverizações realizadas contra a praga). Além da contribuição econômica, houve uma menor agressão ao ambiente e menor contaminação do alimento, auxiliando na sustentabilidade da tomaticultura.


Alexandre de Sene Pinto



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