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Controle de percevejos com Telenomus podisi em soja

Os percevejos na soja podem ser controlados somente com um parasitoide
Desde a década de 1990, o parasitoide de ovos Trissolcus basalis foi desenvolvido para liberações em campo e controle de ovos de percevejos, especialmente do percevejo-verde Nezara viridula, na cultura da soja no sul do país.

Com o aquecimento global e aumento de temperatura de até 1,5ºC no sul do Brasil na penúltima década, em 2012 constatou-se que a mudança no status dos percevejos-praga no Brasil, com a migração de N. viridula para o Uruguai e a dominância de Euschistus heros em todo o país, estava ligada a esta alteração climática.

Com a predominância do percevejo-marrom, E. heros, na cultura da soja, o parasitoide T. basalis se torna obsoleto, pois é mais adequado às regiões de clima mais ameno.

Nos levantamentos de parasitoides de ovos de percevejos em condições naturais por todo o Brasil, a espécie Telenomus podisi se destaca e as pesquisas dos últimos anos indicaram ser esse parasitoide bastante eficaz para a maioria das espécies de percevejos que ocorrem na soja, incluindo os predadores do gênero Podisus, de onde vem o nome da espécie.

Por esse motivo, T. podisi passou a ser o alvo das pesquisas atuais e começou a ser usado em áreas experimentais com a mesma tecnologia de liberação desenvolvida para T. basalis. Mas será essa tecnologia desenvolvida para T. basalis adequada para T. podisi?

Recentemente, algumas pesquisas foram conduzidas para desenvolver a tecnologia de liberação de T. podisi em campo. Constatou-se que o que se fazia para T. basalis não é diferente do que se deve fazer para T. podisi.

Um pouco da biologia do parasitoide

O parasitoide T. podisi vive cerca de um mês em campo, mas parasita quase 80% dos ovos dos percevejos até duas semanas após a emergência. Os primeiros ovos parasitados dão origem a mais fêmeas e depois passa a produzir mais machos, mas a razão sexual fica ao redor de 0,6 (ou seja, produz mais fêmeas que machos).

Uma fêmea parasita, em média 210 ovos de E. heros ou 76 ovos de Piezodorus guildinii, o percevejo-verde-pequeno. Um ovo parasitado leva cerca de duas semanas para dar origem a novos adultos. Ver mais informações biológicas na tabela abaixo.

Fonte: Pacheco e Corrêa-Ferreira (1998)

T. podisi tem preferência por ovos de Dichelops melacanthus quando na presença de E. heros, em laboratório, mas essa preferência não deve comprometer o parasitismo da segunda espécie em campo.

Momento de liberação

As liberações devem ser iniciadas uma semana antes do florescimento. No futuro, se as armadilhas de feromônio de E. heros mostrarem grande eficácia em campo, as liberações serão iniciadas após os adultos serem capturados.

Em lavouras de soja semeadas no início (25% do total) e no meio da safra (25%), em áreas de alta pressão da praga, uma segunda liberação deverá ser realizada um mês após a primeira. Nos 50% restantes das áreas, semeadas mais tardiamente, mais duas liberações deverão ser realizadas, em intervalos de 15 dias após a primeira e entre elas (Figura 1)

Em áreas de baixa pressão da praga, somente os 25% da área semeada mais tardiamente deverá receber três liberações do parasitoide (Figura 1).

Quantidade liberada (dose)

Por enquanto, a dose de 5.000 parasitoides por hectare tem mostrado ser a quantidade adequada para infestações de até 400.000 ovos de E. heros por hectare, que geralmente corresponde a 200.000 ninfas grandes e adultos por hectare (10 por metro) depois de cerca de um mês. Entretanto, a frequência de liberação parece ser mais importante do que a dose liberada.

Liberação aérea do parasitoide

Esse parasitoide pode ser liberado sem cápsulas via avião ou drone, desde que um repelente de predadores seja adicionado ao material a ser liberado. Atualmente, a pesquisa indicou a noz moscada (0,2 g 100 ovos-1) como o melhor repelente de predadores, mas ainda permitindo 30% de predação de ovos no solo.

Uma nova pesquisa começou a ser desenvolvida em abril de 2018 para melhorar a repelência da noz moscada com a adição de dicloroisocianurato de sódio (99%) em doses bem baixas. Vamos aguardar!

Pontos de liberação

Diferentemente de outros parasitoides, que são liberados em pontos fixos centrais ou espalhados por toda a lavoura, a liberação de T. podisi deve ser realizada em faixas ao redor dos lotes agrícolas. Isso por que o percevejo entra pelas bordas da área agrícola e vai se dispersando para o interior da cultura com o tempo. Se a liberação do parasitoide for realizada em área total, especialmente a primeira, muitas fêmeas não conseguirão achar os ovos da praga que estarão concentrados nas bordas.


Alexandre de Sene Pinto



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