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Novo pacote tecnológico para o controle de lagartas que atacam o milho

O controle biológico de lagartas no milho é econômico, não causa contaminações ambientais e de trabalhadores, é sustentável e ajuda a transformar a agricultura moderna.

A cultura do milho é atacada por diversas pragas, mas a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, é a mais importante delas. Ocorre durante todo o ciclo da cultura, infestando as plantas desde a germinação (corte de plântulas rentes ao solo), fase de cartucho (danificando folhas novas), fase de pendoamento (destruindo os pendões), formação de espigas (danificando os grãos) e secamento dos grãos (destruindo o germe das sementes).

O controle químico é o que predomina no Brasil contra a lagarta-do-cartucho, mas o controle biológico sempre foi uma opção promissora desde longa data. Vários predadores, como o percevejo-pirata, Orius spp., tesourinhas, Doru spp. e crisopídeos, Chrysoperla externa entre outras, são encontrados naturalmente no campo e estudados para serem incluídos em programas de controle biológico. Alguns parasitoides, como Trichogramma spp., Telenomus remus, Chelonus insularis etc., e alguns microrganismos entomopatógenos, como Baculovirus, Bacillus thuringiensis, Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae etc., também se mostraram promissores como agentes de controle biológico.

Mas, efetivamente, algum desses inimigos naturais já poderia ser utilizado em programas de controle biológico da lagarta-do-cartucho? E a resposta é sim.

O parasitoide de ovos Trichogramma pretiosum, em milho adubado corretamente, contribui para o aumento na produtividade da cultura quando existe infestação da lagarta-do-cartucho. Pesquisas recentes finalmente possibilitaram que esse parasitoide pudesse ser utilizado no milho com eficiência.

O parasitismo exercido por Trichogramma em ovos da lagarta-do-cartucho não é alto, fica ao redor de 40-60% após liberações em campo, mas é o suficiente para incrementar a produção do milho em até 50%.

A mínima contribuição que um inimigo natural ofereça na diminuição da infestação da lagarta-do-cartucho e das demais lagartas é sempre válida. O menor uso de agroquímicos na lavoura é garantia de um aumento no número de outros organismos benéficos, que juntos promoverão um efetivo controle das pragas.

A recomendação é iniciar as liberações de Trichogramma assim que as plântulas emerjam, ao redor de 6-7 dias após a semeadura, para controlar os primeiros ovos colocados pela mariposa. Entretanto, se a liberação não puder ser iniciada nesse período, até uns 20-25 dias após a semeadura ela pode ser iniciada. Serão três liberações semanais, em semanas seguidas, de 200.000 parasitoides por hectare, levando em consideração o raio de dispersão de T. pretiosum, que é de 10 metros. Por isso, serão 25 pontos de liberação por hectare.

O parasitoide pode ser liberado na forma de pupa ou adulta. Na forma pupal, ou seja, liberação em cápsulas para o adulto emergir no campo, o parasitismo é mais eficiente, mas os cuidados deverão ser maiores. Só deverão ser liberadas as cápsulas com pupas quando uma “cápsula-prova”, enviada pela empresa fornecedora, tiver iniciado o “nascimento” (emergência) dos adultos.

Se após as liberações, nova infestação da praga ocorrer entre 35 e 45 dias da semeadura, deve-se observar se existem algumas lagartas parasitadas. Se isso ocorrer, nada deve ser feito, pois certamente os parasitoides e predadores que ocorrem naturalmente diminuirão a população da praga. Se a pressão de inimigos naturais for baixa, a aplicação de produtos biológicos microbianos deverá ser a opção.

Atualmente, o parasitoide Trichogramma está sendo liberado na forma pupal, sem cápsulas, por avião ou drones. Essa tecnologia facilitou muito o uso do controle biológico em grandes áreas e aumentou a eficácia de parasitismo, por melhorar a distribuição do parasitoide.

O parasitoide T. pretiosum também pode ser utilizado no controle da lagarta-da-espiga, Helicoverpa zea, importante em áreas produtoras de milho verde. Nesse caso, as liberações devem ser iniciadas com o aparecimento do “cabelo” (estilos-estigmas) das espigas. Deverão ser realizadas duas liberações por semana, durante duas semanas seguidas, de 200.000 parasitoides por liberação por hectare, ou uma única de 400.000 vespinhas.

O esquema de liberação deverá ser o mesmo proposto para a lagarta-do-cartucho, com a diferença de que deverá entrar na área 8 metros e o espaço entre cada ponto será de 16 metros, pois o raio de dispersão nessa fase da cultura é de 8 metros. Nesse caso, serão 40 pontos de liberação por hectare. O incremento na produção que esse parasitoide proporciona chega a ser de 100%.

Se a área tiver histórico de infestação da broca-da-cana, Diatraea saccharalis, outra espécie de Trichogramma deverá ser liberada, que é T. galloi (ver texto para cana-de-açúcar). Também serão necessárias liberações semanais, por três semanas seguidas, do parasitoide, na quantidade de 150.000 por hectare por semana.

Para qualquer uma das pragas, o ideal seria iniciar as liberações assim que machos da broca-da-cana começassem a ser capturados nas armadilhas de feromônio (com fêmeas virgens das espécies de lagartas), instaladas ao redor da lavoura (uma armadilha em cada quadrante da área), sempre acima da altura das plantas. O esquema de liberação é o mesmo proposto para a lagarta-do-cartucho.

Hoje existe a possibilidade de se usar atrativos alimentares para alguns noctuídeos, que funcionam como os feromônios, mas atraem ambos os sexos. Entretanto, esses atrativos não funcionam para a broca-da-cana.

Todas essas espécies de Trichogramma são produzidas de forma industrial (massalmente) e são comercializadas no Brasil, facilmente encontradas no mercado. Entretanto, empresas idôneas devem ser priorizadas, que garantam a qualidade do inseto e que forneçam assessoria pós-venda, pois a aquisição do produto sem qualidade e a falta de informações podem comprometer o sucesso do controle.

A associação de liberações desse inseto com pulverizações de inseticidas também é viável e muito indicada para as áreas de produção de sementes. Mas somente inseticidas considerados seletivos para o parasitoide podem ser utilizados.

Os fungos Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana também têm mostrado bons resultados no controle da lagarta-do-cartucho e em pouco tempo estes entomopatógenos deverão fazer parte de um pacote tecnológico de controle biológico em milho.

Atualmente se sabe que grãos de arroz com os conídios desses fungos (conhecido como granulado), aplicados de forma dirigida aos cartuchos das plantas, mostram melhores resultados que a aplicação dos conídios via líquida. A dose ideal é de 6 quilos de arroz mais fungo (com 2 x 108 conídios viáveis por grama de arroz), com aplicações ao final da tarde.

Esses fungos também são produzidos industrialmente e várias são as empresas que os comercializam no Brasil. Valem as mesmas recomendações já citadas anteriormente quanto à aquisição dos produtos.

O vírus Baculovirus spodoptera, a bactéria Bacillus thuringiensis e o parasitoide Telenomus remus também são muito estudados e eficientes no controle da lagarta-do-cartucho. O parasitoide citado é bastante agressivo no controle de ovos da lagarta-do-cartucho, chegando a causar um incremento na produção de 150%. Todos esses produtos são encontrados no mercado brasileiro.

Portanto, hoje o controle biológico de lagartas no milho é viável e tem a vantagem de ser mais econômico, não causar contaminações ambientais e de trabalhadores e de ser sustentável, ajudando a transformar a agricultura moderna.


Alexandre de Sene Pinto



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